CARRINHO DE BOMBEIRO!
VERMELHO!
Como quase tudo que gosto.
Exceto UNHAS e a MINHA CONTA BANCÁRIA.
Quanta emoção.
O primeiro REGALO.
Da VOVÓ, claro.
Assim diz o LIVRO DE RECORDAÇÕES do nascimento de um certo TARADO, lá nos idos de 1963.
Aceleremos o TEMPO.
O tempo, nesta TERÇA-FEIRA, urge!
Professora MARIA APARECIDA.
O mesmo nome da mais LINDA das mulheres e a mais AMADA das avós, a Minha VÓ CIDA!
LAPA, São Paulo. Capital.
CAPITAL maior da Terra Brasilis.
TERCEIRO ano do antigo PRIMÁRIO.
Com as TABUADAS DE COR. A do OITO. Dez segundos. Sem erros.
Desde sempre ágil com as PALAVRAS e os NÚMEROS.
Desde sempre fã do NÚMERO TRÊS.
Três da tarde em ponto.
À ÉPOCA, já o maior da fila.
Os últimos serão os primeiros?
Não sei.
Homem com AGÁ MAIÚSCULO, quero ser o DERRADEIRO.
Eis que o Meu coração dispara. HOJE.
Assim como o fez em 02/07/1971.
A SIRENE.
Extasiante. Inebriante. AVASSALADORA.
Ao som de um JÁ, invadimos.
Um exército de brasileirinhos tomando de assalto um império RUBRO e MEMORÁVEL.
Como num passe de mágica, A ESPUMA.
Branca, como os capacetes dos chefes daqueles HERÓIS.
Como as BOTAS das HEROÍNAS do FUTURO daquele rapazinho eternamente fascinado.
SARGENTO SANTOS.
Sorridente. Forte. UM GIGANTE.
E eis-ME no ar.
Literalmente no ar.
Tem coragem, MENINO DE OLHOS ATENTOS?
TIVE.
Fui com ele até o ÚLTIMO DEGRAU DA ESCADA que para MIM nos levaria até a MINHA MAMÃE, que por motivos outros, vivia no céu, mesmo morando na TERRA.
Na TERRA DOS ANDRADAS.
Longe de MIM.
Uma estrepitosa SALVA DE PALMAS.
Que lá de cima parecia um zunido.
A descida triunfante reservar-ME-ia outro deleitante prazer.
Água benta.
Benta água.
Branca água.
ÁGUA.
BASTANTE água.
E, o INTRÉPIDO e NACARADO PETIZ, com suas BELAS e - faz tempo! - pequenas mãos, segurou o TOURO PELO LAÇO.
Incrível, lembro-ME perfeitamente da VOZ GRAVE - que INVEJA! - e robusta do SARGENTO SANTOS, orgulhosamente ensinando-ME o nome do SEU petrecho laboral.
TOURO.
O homem.
E o JATO.
Peralta, sempre peralta, direcionei-o para a PROFESSORA MARIA APARECIDA. E escrevi no plúmbeo chão daquele CASTELO DE GRANDES HOMENS GRANDES, a Minha frase favorita.
"EU A AMO"!
MOLHADA pelo MAR que escorria daquele touro e pelas lágrimas, um lacônico aceno.
Que tudo dizia.
Devo ter gostado MUITO mesmo desse insólito momento.
Repeti-o, com CIRÚRGICA precisão, pouquíssimas vezes na CINQUENTENÁRIA existência.
E as FELIZARDAS também se MOLHARAM. Juntamente com calcinhas e lenços.
O "GRAND FINALE"!
Uma volta no TREM DA ALEGRIA.
Aquele INTERMINÁVEL carro VERMELHO que tantas e tantas vidas salvara.
E naquele instante, VIDAS FELIZES fez.
Simplesmente ENLOUQUECI.
GEMI. GRITEI. URREI.
Fiquei bom nisso com o passar dos anos.
EU e outros CINCO MENINOS.
Éramos SEIS.
E elas, DEZOITO.
TRÊS para cada UM.
TRÊS!
Vinte e cinco seres humanos absolutamente REALIZADOS.
Interessante.
Houve um tempo em que UMA MULHER RARA, uma PROFESSORA, o mais distintivo dos substantivos femininos da língua de Maria José Dupre depois de MÃE, "tomava conta" SOZINHA de vinte e quatro infantes.
E vejam que entre eles estava EU, o PAULINHO, que segundo todos, era FOGO!
Saudades e respeito eterno PROFESSORA MARIA APARECIDA.
Saudades e respeito eterno MEU HERÓI SARGENTO SANTOS.
E de CORPO INTEIRO, o Meu mais profundo RECONHECIMENTO, BOMBEIRO!
Hoje é o SEU DIA.
O DIA DOS HERÓIS de uma NAÇÃO EM CHAMAS que TANTA NECESSIDADE DELES tem.
O DIA DO BOMBEIRO.
Ao fundo, em direção ao OLIMPO, pela janela do SOLAR DA PAZ E DO VENTO, vislumbro um GIGANTE VERMELHO QUE APITA enquanto se vai...
CARRO DE BOMBEIRO!
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