O ESPELHO, nesta plúmbea manhã, assume contornos de medieval castigo.
De tamanha monta, que somente ME é possível suportar, mercê de uma benfazeja e gradativa e essencial mudança na Minha invulgar personalidade.
Ser humano menor, naturalmente era EU vitimado por píncaros de SOBERBA, por arroubos de PETULÂNCIA, por nefastas fibrilações de exacerbada SOBRANÇARIA no passado.
A MATURIDADE, regalo maior do inexorável caminhar da ampulheta, livrou-ME de substantiva parcela deste arrasador mal.
JAMAIS afirmei que NÃO "JACARIA", terminologia a MIM ensinada por Minha queridíssima IRMÃ Kátia Castelão, que com os seus costumeiros BOM HUMOR e GENIALIDADE, assim define a DELICIOSA - conquanto PERNICIOSA - ação de se entregar aos PRAZERES DA GULA.
JAMAIS!
Fi-lo, porque o quis - sim, PARVALHÕES, se o PRESIDENTE JÂNIO QUADROS houvera feito uso dessa expressão, escudeiro mais profícuo da língua de CAMÕES que era, assim o faria -, por BASTANTES vezes a seguinte observação.
EVITAREI com todas as Minhas forças "JACAR"!
Ontem, exatos CENTO E NOVENTA E SEIS dias após o ACACHAPANTE diagnóstico da Minha inclusão na lista dos DIABÉTICOS - da do SPC/SERASA sou sócio antigo -, capitulei.
Ouso dizer que pisei O - ninguém, nem o tal "PÉS GRANDES" consegue pisar EM nada, uma vez que o verbo em tela já contém a ideia da preposição em seu bojo -, bem, pisei O JAQUEIRAL completo.
Um festival gastronômico de arrasar quaisquer pretensões curativas, ainda que o seu médico seja do galardão de Marco Paulo Reynol, excelso cientista que coordena as ações em contra da Minha falência pancreática.
DOIS pastéis de carne e UM de queijo no CARIOCA.
Um CAFÉ GELADO com ares de MILK-SHAKE no simpático e sugestivo CAFÉ DO FEIRANTE.
Isso, no período vespertino.
E, enquanto torcia pelo CÁSSIO - cada dia simpatizo mais com esse GAÚCHO sem bombachas e com cara de bolacha - na prova do líder do BIG BROTHER BRASIL, programa que EU ADORO, o corolário deste MACABRO e NABABESCO festim.
CINCO ESFIRRAS - olhe a TRANSLITERAÇÃO aí, gente! - da SANTA RITA, na versão praiana da INIGUALÁVEL pizzaria da Minha AMADA MOOCA.
Duas de muçarela com chicória, duas de carne e uma de queijo.
Tudo INTEGRAL. Integralmente PROIBIDO, posto que repleto da tal FARINHA BRANCA!
Com o CU na mão - durante a madrugada ELE quase ficou no assoalho do vaso sanitário -, fui INCAPAZ de ME submeter à matinal PICADURA do digital aparelho de tortura e medição glicêmica.
Fraquejar, nesta ENVERGADURA, faz a vida, no dia seguinte, ainda mais dura.
E, com o RISÍVEL estipêndio que percebo, de DUREZA EU entendo!
Somente ME resta fazer deste limão uma limonada.
Sem AÇÚCAR, claro.
Começo uma vez mais a contagem dos DIAS DE ABSOLUTA - diria EU DRACONIANA - PRIVAÇÃO.
Intensificando o já exasperante projeto CORPO EM AÇÃO.
Mais caminhada. Mais flexões. Mais abdominais.
E - OXALÁ! - MUITO mais visitais ANAIS!
Aproveitarei o FORÇADO retiro espiritual durante os festejos de MOMO - NÃO tenho dinheiro nem sequer para um punhado de confetes, os tais POÉTICOS pedacinhos coloridos de SAUDADES - para reflexões.
No afã de fazer ainda mais FÉRREA a Minha determinação.
De vencer o DIABETES MELITO.
De vencer quaisquer lampejos de VAIDADE.
E, mormente, de manter vivo este Meu coração VERDE E ROSA.
A MANGUEIRA vai entrar!
NACARADO coração, que assim como o do IMORREDOIRO CARTOLA, sabe bem que as ROSAS NÃO FALAM.
E que PAULO DELLA ROSA, escoltado pela PALAVRA DE DELEGADO, escreve.
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