sábado, 29 de junho de 2013

DORES E OLORES DAS ROSAS!

VÃO ROSAS AÍ, MADAME?
Madeiras e toldos ao chão.
Ronco de motores.
Alarido.
Uma certa tensão.
As costas.
Ah! As costas ME doem.
Lá embaixo, cá encima, inquietação.
Na rua, nobres e não tão nobres odores.
EU a revisitar velhas dores.
Outro cão ladra.
Enquanto solto EU um urro contido.
Claudicante, chego à varanda.
E saboreio um sem-número de amostras.
Como uma onda, faz-se mais vivo o vozerio.
Sinto um estranho frio.
Percebo-ME algo tonto.
Sorrio.
É da Minha essência.
Um menear de cabeça. E pronto.
 O leito carroçável, outrora soberano, transmuta-se.
Noiva violada, vai recebendo sua calda furta-cor.
Uma pontada. Seis horas. Tanta dor.
O breu. Da tela da caixa do demônio, um fio de luz.
O pensamento é seu.
A fiel e doce companheira dorme.
O fiel e inarredável filho roça o focinho gelado no Meu tornozelo.
Deles recebo sempre tanto mimo, tanto zelo.
Um olor em especial ME seduz.
Sensação divinal chega a Meu nariz enorme.
Do televisor, uma música. Uma voz divinal. GAL.
TÁ COMBINADO.
Deveria EU estar deitado.
Entorpecido, certo assombro ME invade.
O alvor tentando iluminar cidade.
O dia, um novo dia, avulta-se.
Os olhos parecem ME trair.
A sequência. A organização. O que aconteceu?
Num piscar de olhos, numa distração, o caos desapareceu.
Os sons agora são distintos.
Pessoas, em sua esmagadora maioria, SÁBIOS anosos, de suas casas a sair.
Aos olfatos menos apurados, não fede, nem cheira.
A sensação de há pouco, ora recrudesceu.
Sorrio.
Como se fora EU um enólogo frente a famosos tintos.
Foi-se o frio.
É SÁBADO.
É a FEIRA.
Para a dor que sinto, o melhor alento. O mais poderoso unguento.
Reconheço o AROMA.
Todo prosa.
A BARRACA DAS FLORES.
O IMPACTANTE CHEIRO DA ROSA!

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