TODO CASTIGO PARA CORNO É POUCO!
São 4h40.
De uma madrugada em que o CLIMATEMPO faz questão de exibir na tela do Meu “ROSALINK” – Homem de parcíssimas posses, dou NOME a tudo que tenho, no afã da plena USUFRUIÇÃO -, o Meu computador pessoal, os NOVE graus que brindam a Terra dos ANDRADAS.
4h40.
Despertado pela BEXIGA, em efeito cascata da pressão que a urina lhe impõe, cambaleio até a cozinha, no afã de cumprir um inaudito mister.
O despertador toca.
Quase ME cago de medo.
Um breu só. E uma cigarra com pulmões de LEOA a berrar no meio da selva de pedra é assaz aterrorante.
Volto para o quarto.
Quase ME mijo.
Tonto – ainda mais – arremesso a CIGARRA FELINA ao chão e corro para o banheiro no afã de ME livrar da urina, da bexiga e até mesmo do SACO e do PÊNIS que a este tempo são-ME torturantes.
Alguns segundos que ME parecem uma eternidade.
Tempo suficiente para uma reflexão.
O que faço EU acordado, às 04h42, no escuro, com um frio que somente nordestino cafajeste sente quando o marido da curitibana retorna de supetão à casa, trás uma viagem invernal que duraria uma semana, com o peru mole na mão e ME sentindo um cagão?
CHEIRO DE PÃO!
Claro, penso EU no escuro.
A consorte COM SORTE assim determinara.
“Quando for 4h40, coloque a CALABRESA no buraco!”, disse-ME com a voz excitada momentos antes de que EU desfalecera, entregando-ME às ANCAS de MORFEU, sodomita que sou.
Confesso que o fiapo de consciência de que GOZAVA quando ouvi suas palavras, tarado até o mais longínquo dos desvãos do Meu tecido conjuntivo, deu aos vocábulos LÚBRICO viés.
Ledo engano.
Solto a CALABRESA, NÃO sem antes dar a masculina e asséptica chacoalhada, e, ASCÉTICO, dirijo-ME, uma vez mais, à cozinha.
CHEIRO DE PÃO!
Desta feita, INARREDÁVEL.
Indisfarçável.
INVENCÍVEL.
Um ronco ainda mais pujante do que o da MOTOSSERRA travestida de pele veludínea, boca carnuda, rabo farto e disponível, dedicação absoluta, inteligência e libido vorazes e coração meio madre Teresa de Calcutá, meio deus do novo testamento, que responde pelo doce nome de CRISTIANE.
Sobre a mesa – aquela que desde que para cá mudei é pensa, aumentando o tonitruante barulho e a sensação de que tudo despencará a qualquer instante -, um ruidoso e espetaculoso vulto.
Acendo a luz.
Ei-la.
Não a SHEILA. A vizinha do sétimo andar. Tão tonitruante, tão cheirosa e tão PERIGOSA quanto a cena.
A MÁQUINA.
Não a do Fabrício Carpinejar. Aqui em casa TODOS temos cabelo. Exceção feita às partes pudendas da MOTOSSERRA, digo, CRISTIANE.
Sádico e DOMINADOR, tenho ojeriza à grama alta. Ou baixa. Adoro o DESCAMPADO.
A MÁQUINA DE FAZER PÃO!
Tudo fica ainda mais claro. Não só porque premi o botão da segunda lâmpada fluorescente. PRESBITA e sequioso de saber, há iluminação em demasia em cada um dos ambientes. LER é o melhor remédio.
Mormente para um SER LIMITADO como EU.
O PÃO!
Pão de CALABRESA. Com PROVOLONE.
Que estará pronto às 7h. Seven o’clock SHARP, como diria o Meu amigo Peter Thompson, o mais brasileiro dos bretões.
E, como TODO CASTIGO PARA CORNO É POUCO, fui EU o eleito para apor as já cortadas nesgas de calabresa no interior da “PÃOLETE” – dou nome a tudo que tenho, no afã da plena USUFRUIÇÃO -, a dita cuja fazedora de pão, comprada em prestações NÃO PAGAS pelo cartão de crédito da MASTERCARD do BANCO DO BRASIL , cujo MALDITO gerente começará a ligar às NOVE DA MANHÃ EM PONTO, como religiosamente faz há cerca de dois meses, no afã de receber o seu – que NÃO é dele – rico dinheirinho.
BRITÂNIA, a marca da máquina.
BRITÂNICO, o Meu amigo e o Meu PROCEDER.
Fleugmático, afasto os pensamentos MENOS nobres e cumpro com GALHARDIA – com o perdão do trocadilho – o Meu mister.
CALABRESA posta.
Afasto-ME da LEOA elétrica e torno ao aconchego da alcova.
A LEOA de carnes instigantes segue dormindo.
E RONCANDO.
Encosto a CALABRESA naquela PARADÍSICA bunda. Que de tão MINHA, até tatuagem de ROSA possui.
NADA.
Como a calabresa da MÁQUINA DE PÃO, a Minha foi empurrada para lá e para cá, em um vaivém sincrônico, como no bolero de RAVEL.
Penso no PAPEL.
UNIÃO ESTÁVEL.
Devo estar LOUCO.
Todo castigo para corno é POUCO.
NÃO!
Daqui a pouco, um DELICIOSO PÃO!
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