sábado, 23 de novembro de 2013

CEM DIAS!

Foi numa SEXTA-FEIRA 16, muito embora, para MIM, haja assumido contornos de SEXTA-FEIRA 13.
O mês, AGOSTO.
O dos CACHORROS LOUCOS. 
No Meu caso, o que deixou a ANTA ROSA louca.
De PAVOR.
De revolta contra MIM mesmo.
E, mercê do Meu invencível BOM HUMOR, louco de desejo de GOZAR - adoro esse verbo - cada segundo que ME resta de vida.
Em pleno laboratório de análises clínicas de Santos, o aterrador VEREDICTO.
DIABÉTICO!
16 de agosto de 2013.
Há exatos CEM DIAS.
Imperiosa se fez, dez segundos após pousar os olhos sobre os 363 da GLICEMIA EM JEJUM, a tomada de uma decisão.
Quiçá fora o fleugmático e bretão TO BE OR NOT TO BE, beletrista insipiente e fã incondicional de SHAKESPEARE que sou.
Entrego-ME silente ou luto urrando a plenos pulmões?
Essa sim foi a questão aflorada ainda na antessala daquela instituição.
Com velocidade cósmica, passaram por Minha LIMITADA cabeça figuras e nomes a quem devotei AMOR absoluto, tendo ou NÃO recebido delas a tão comovedora contrapartida.
Meus FILHOS.
Que NÃO ME perguntaram até hoje se, por quê ou até que ponto estou doente.
Meus IRMÃOS.
Do caçula, o sempiterno OLÍMPICO descaso. A menina, bem, quem a conhece sabe do seu "certo" autismo social.
Os AMIGOS. Ah, os AMIGOS. Estou APOSENTADO. Na absoluta BANCARROTA. Como esperar deles ATENÇÃO para com um MAZELENTO.
Minha MÃE, em que pesem as Nossas SUBSTANTIVAS diferenças, encabeçou a lista de gratas surpresas.
Naturalmente, NÃO é quem mais por MIM faz. Conquanto EU festeje a sua parceria, que julgo fundamental assinalar, ultrapassa os limites do que EU próprio julguei provável.
Houve, sim, píncaros de deleitante altruísmo.
O MALDITO diagnóstico reaproximou-ME do querido e EXCELSO médico Marco Paulo Reynol, o dedicado cientista que de forma absolutamente GRATUITA comanda Minha trilha medicamentosa.
A família DIAS, nas pessoas de Aguines Dias e Juarez Dias, com as palavras certas nas horas incertas, acalentando-ME o coração romântico e apaixonado por ROBERTO CARLOS do tempo que ROBERTO CARLOS era ROBERTO CARLOS.
As genias tiradas do querido Miguel Oliveira, e seu CROQUETE DE ALFACE, tão essenciais no alívio da circundante angústia.
Lá do seu SORBÔNICO proceder, Carlos Gomes, a ME presentear com a SUCRALOSE que, saiba ele, está a TRÊS SAQUINHOS de acabar.
Salete Monfardini, ESTONTEANTE prima, Vera Loubeh, DIVINAL mulher, Helena Barreira Vela, IRMÃ querida, Kátia Branco, ALVA dama, Patricia Canto, MI DULCE MAESTRA, Patricia Paula Boni, QUERIDA amiga, vocês, TÃO PRESENTES em Meus desafogos textuais, assumem relevante papel neste romance.
E, acima de TUDO e de TODOS, dois seres MAGISTRAIS são, estou completamente convencido disto, os GRANDES RESPONSÁVEIS por haver EU sobrevivido por mais UMA CENTENA de tardes, desde então.
EU NÃO o teria logrado sem VOCÊS.
Meu FILHO-CÃO, YGHOR BHORIS ANDRADE DELLA ROSA.
Somos DOIS CACHORROS em perfeita simbiose há mais de DOIS ANOS E MEIO. E, mercê do AMOR IMANE que lhe devoto, FILHO AMADO, e graças ao AMOR que enxergo refletido nos seus OLHINHOS DE BOLINHAS DE GUDE, encontro forças nos momentos de maior desespero e desesperança.
Sou FRACO sim. Homem de parcíssimos talentos e intelecto rés do chão.
E a sua DIUTURNA e CELEBRADA companhia faz-ME um pouco melhor. Um pouco menos desprezível. Um pouco menos soturno. Um pouco mais CONFIANTE.
E Cristiane Andrade, a Minha consorte COM SORTE.
Que chegou a Minha vida quando todos os horizontes estão inacessíveis. Os céus plúmbeos. A terrá estéril. O porvir desestimulante. Enfim, no OCASO.
Como você mesma ME disse certa vez, para ter um CASO comigo, lembra-se?
Quiçá atrás do BAÚ do outrora TODO-PODEROSO DELEGADO DELLA ROSA. O tal Homem de TODAS AS MULHERES.
O INSUPERÁVEL. O famoso. Que de tantas habilidades sociais, por BASTANTES foi acreditado como RICO! Santa ingenuidade.
Você, MINHA CRISTIANE, deu-se MUITO MAL.
Conhecendo-a como a conheço, SEI que NÃO foi pelo dinheiro. 
Não SORRIA, ainda.
SEI muito bem que foi pela SACANAGEM. Pelo CETRO de CAFAJESTE MOR que ostentei por décadas, quer seja na PAULICEIA onde nasci, quer seja por toda COSTA DA MATA ATLÂNTICA, e, particularmente, na PÉROLA DO ATLÂNTICO.
Deu-se MAL.
Do anelado CASO, um PERENAL casamento.
Do TERROR DAS EMPREGADAS, DAS PATROAS, DAS DESEMPREGADAS, DAS RICAS, DAS POBRES, DAS CASADAS, DAS DESCASADAS, um ANOSO e MAZELENTO esboço de garanhão.
Do tal BAÚ DA FELICIDADE, um MONTÃO de CAIXINHAS DE REMÉDIO.
É, MINHA CRISTIANE.
Pairam soberanas - que Odárcio Ducci e o seu Ilha Porchat Clube perdoem-ME o plágio - duas CERTEZAS.
Sigo sendo PAULO DELLA ROSA. 
SORTUDO, como sempre.
Diferentemente de você, no PIOR estágio da Minha já longeva existência, a MIM por permitida a MELHOR MULHER que conheci por mais de TRINTA E CINCO anos de pura PUTARIA. De completa ESBÓRNIA. De ESTRATOSFÉRICAS cifras feminis.
Sigo sendo, PAULO DELLA ROSA.
BEM-HUMORADO, IMBELE, BOM OUVINTE, TARADO e, ápice das Minhas CINCO ÚNICAS qualidades, GRATO.
Obrigado a TODOS por esses CEM DIAS DE VIDA.
Os que NADA fizeram. Os que fizeram pouco. Muito. E a vocês dois, YGHOR e CRISTIANE.
A luta continua. Por mais CEM, MIL, DEZ MIL dias ou alguns segundos.
Desde a PUERÍCIA - fui tão DEPRECIADO por isto -, vivo o PRESENTE.
Que para MIM, é de fato um PRESENTE.
Com a TAXA DE AÇÚCAR NO SANGUE nas alturas, com a conta bancária no ABISMO, no OSTRACISMO e relegado ao desprezo ou NÃO, viver o PRESENTE como um PRESENTE é a tônica da IDIOSSINCRASIA DELLAROSIANA.
E, a julgar pela Minha HISTÓRIA, tão NACARADA e INTENSA, tal opção filosófico-comportamental foi assaz GRATIFICANTE.
CEM DIAS DE VIDA.
Que lhes valerão a Minha ETERNA GRATIDÃO.
MINHA MULHER. MEU FILHO-CÃO!

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