quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

FALE, POETA!

CARINHOS deste HOMEM IMPROVÁVEL!
“SUA ELGIN. MINHA ELGINIANE É UM GÊNIO!
Afazeres domésticos.
Fantasmas de qualquer relação.
Labuta infinda e maldita.
Rock pesado. Em tom de samba-canção.
Cada qual com sua cruz.
Via de regra, para as esposas, as mais pesadas.
Se modernas, a jornada é dupla.
Se bem-sucedidas, tornam-se mui desejadas.
Do sacrossanto lar a rainha.
Rainha? Que diuturnamente desembainha a espada.
Que luta em diversas e difusas e distintas frentes.
A quem não é permitido nem sequer parecer cansada.
A infindável faina da dona de casa.
Dona da casa? Eufemismo. Força de expressão.
Poder absolutista exercido através da quérula escravatura.
Solitária e desdourada e sacerdotal missão.
Lava. Passa. Faxina. Cozinha. Sozinha.
Memoriza gostos e desejos de seu homem. Reina calada.
De mesa e cama, inarredável e imprescindível expertise.
Há de ser bela, vestida. Fenomenal, pelada.

Cumpre-ME, consorte COM SORTE que sou, agir.
E o fiz, movido por motivação espúria. Safadeza pura.
Romântico gesto. Escopo genial. O futuro e o passado cosidos.
Novas obrigações à vista. Fim de ano, com dourada abotoadura.
O natal permitiu-me certa redenção. Imperiosa retribuição.
Para a MINHA MULHER, a vida é especialmente dura.
Machista. Cafajeste. Autoritário. Mandrião. E folgado.
Chegou o seu PRESENTE, Cristiane. Uma MÁQUINA DE COSTURA!”
Aos que sabem dar valor.

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