Algumas manhãs deveriam começar depois do meio-dia.
Ou, quiçá, trás o espetáculo do pôr-do-sol.
DIABÉTICO e envelhecido - a dois dias de perfazer CINQUENTA E UM ANOS, completo hoje 18.626 dias de existência -, dou o pontapé inicial desta sexta-feria com o pé esquerdo.
E o SACO na lua.
Como sói ocorrer todas as vezes que ME livro dos braços de MORFEU, caminhei, claudicante e assonado, até a TONITRUANTE - nem o MAU HUMOR afasta de MIM o SACROSSANTO cálice do AGRADECIMENTO e, uma vez mais, a BELA e queridíssima figura de Eduardo Antonio Miguel Elias adorna-ME o pensamento - geladeira, no afã de ME submeter ao imperioso DUELO glicêmico tão conhecido dos escravos da falência PANCREÁTICA.
Que inclui, além da medicação, a INGESTA de um HORROROSO copo de água com erva ereta e lenhosa, de folhas cordiformes, com cinco lobos, emolientes e forrageiras, flores amarelas com manchas carmim, e cápsulas cônicas, compridas, pilosas, verdes e mucilaginosas, com muitas sementes e que, a se julgar pelo GOSTO, pelo CHEIRO e pela AMALDIÇOADA BABA, deve ser o próprio ESPERMA DE SATANÁS!
ÁGUA COM QUIABO!
Adormecida!
POBRE-DIABO!
Triste vida!
Como TUDO que NÃO está bem sempre pode piorar, HOJE o BELZEBU aquático decidiu pregar-ME uma diabólica peça.
Quiçá pelos NOCIVOS efeitos do NHOQUE da SOGRA DE OLHOS AZUIS - teria ela alguma vocação para ALINE? - dormi mais do que de costume. Quase NÃO cri - o que no Meu caso, genuíno TÓTEME do ATEÍSMO, NÃO chega a ser digno de nota - ao ME dar conta de que estivera em ALFA por intermináveis CINCO horas.
O que fez de MIM, nesta nada auspiciosa ALBA, duas vezes mais TONTO do que o usual, e, ao abrir o FAMIGERADO refrigerador, o tal COPO DA PORRA do COISA-RUIM escapou-ME das BELAS MÃOS e se precipitou ao ALUGADO solo da cozinha do SOLAR DA PAZ E DO VENTO.
Claro que, no diapasão do DESGRAÇA POUCA É BOBAGEM, optou por fazer contato, antes do derradeiro estilhaçamento, com a mais frágil das Minhas FALANGES, o sofrido DEDINHO DO PÉ DIREITO.
Diametralmente avesso aos TURPILÓQUIOS, mentalmente bradei a plenos pulmões um CARALHO.
Incontinente, vencido pela LANCINANTE dor, pela ACACHAPANTE vergonha e pelas raízes SICILIANAS - os sicilianos evocam "LA MAMMA" em todas as situações -, explodi num PUTA QUE ME PARIU que há de ter acordado a infeliz vizinhança antes que as primeiras badaladas das SEIS DA MATINA chegassem a seus tímpanos.
Água para todo lado.
Um irascível, dolorido e humilhado DELEGADO sitiado por pedaços de QUIABO, como se fora EU uma VELHA, CANSADA e SOLITÁRIA ilha de incompetência.
Reunindo o que ME restava de dignidade, com o RABO e o QUIABO entre as pernas, decido pedir SOCORRO a MELHOR DAS MULHERES DO ORBE, a MINHA Cristiane Andrade, que, mercê da generosidade da GENÉTICA e da implícita JUSTIÇA que acompanha os SERES HUMANOS MAIORES, NÃO é diabética e dormia como um ANJO.
Sem mais delongas, o COROLÁRIO.
O insuperável YGHOR BHORIS ANDRADE DELLA ROSA, o Meu AMADO FILHO-CÃO, como de praxe, adiantara-se ao seu MAZELENTO E ANOSO pai e já acordara a NOBRE senhora.
Havendo-o feito, com uma INAUDITA peculiaridade.
O ADORÁVEL cãozinho trouxera um PRESENTE para a NOSSA acrisolada MAMÃE.
Portanto, assim que adentrei a ALCOVA, padecendo de um sem-número de DORES físicas e morais, sou interpelado pela FILHA da SOGRA DE OLHOS AZUIS e seus DESGRENHADOS cabelos com uma INVEROSSÍMIL indagação, absolutamente PIA que a SENHORA DELLA ROSA é.
"Que DIABO é ISTO?"
Estupefacto, pouso Meus olhos nas suas TORTINHAS mãos e reconheço aquela VERDOLENGA e MELADA figura.
Um IRRITANTE pedaço de QUIABO!
DIABO!
Nenhum comentário:
Postar um comentário