Passaram-se mais de DOZE HORAS e a AMARGA sensação continua vívida.
E desta feita, NÃO falo de algo que há anos apoquenta-ME. Não ME refiro às Minhas BASTANTES dívidas.
E sim ao ATERRADOR número que os Meus DIABÉTICOS olhos viram estampado na CAUSTICANTE medição matinal da Minha GLICEMIA.
MAMMA MIA!
Trás várias semanas de substantiva queda e, via de consequência, auspiciosas mensurações digitais, uma DORIDA patada.
De raivosos e selvagens animais.
162!
CENTO E SESSENTA E DOIS.
E, em que pese a total ABSTEMIA, um dia inteiro de RESSACA depois.
Exatos 134 dias desde o fatídico veredicto do DIABETES TIPO 2.
Exatos 134 dias sem QUAISQUER deslizes ou, como ME ensinou a querida irmã Kátia Castelão, sem "JACAR".
Exatos 134 dias sem QUINDIM. Sem CHOCOLATE. Sem COCA-COLA. Sem uma bala sequer. Sem PÃO e sem MACARRÃO e sem ARROZ, exceto os integrais. Sem, enfim, absolutamente NADA daquilo que encanta o Meu PALADAR.
162!
Apesar dos mais de VINTE E CINCO quilos que se dissociaram da Minha ANOSA carcaça.
Apesar da - usarei uma analogia bíblica, já que o fenômeno é de fato inverossímil - ASSUNÇÃO DA APARECIDA, ou, num linguajar mais MEU, do desaparecimento da Minha PANÇA.
Apesar das EXTENUANTES atividades físicas. De toda ordem. Diuturnas. Matinais. Vespertinas. Noturnas.
CENTO E SESSENTA E DOIS.
Chorei, confesso.
E ainda choro.
De ÓDIO. Por MIM.
De frustração. Por incompetente.
De tristeza. Por estar doente.
Quiçá viva hoje, EU, o mais difícil momento desde o NEFANDO 16 de agosto próximo passado.
O dia em que ME tornei oficialmente, além de VELHO e POBRE, um MAZELENTO DELEGADO.
O MESTRE Millôr Fernandes, mercê da consueta genialidade, afirmou que somente se é ATEU, quando e se, face a presença da MORTE, não se busca auxílio no céu.
Pois estou a ADIR - acrescentar, súcia de iletrados - mais uma nédia estrela ao Meu visceral ATEÍSMO.
Uma coisa é certa. O tal fantasioso deus, NUNCA poderá, como bem versou o grande Almir Guineto, dizer que de MIM está de saco cheio.
Não lhe devo coisa alguma. Não lhe creio. E NADA lhe peço.
Diferentemente da maioria, que em matéria de ROGOS, são PRÓDIGOS. Se o assunto for a PRÓPRIA conduta, optam por um outro deus.
O deus-dará.
De qualquer sorte, saúdo haver reunido as minímas condições para levar a cabo a Minha oração.
A Minha revigorante viagem ao imo.
Seja no AMOR, seja na dor, o ESCRÍNIO a que sempre ME dirijo em busca de algum conforto.
Seja para CELEBRAR a PARADÍSICA condição de estar vivo.
Seja para PRANTEAR a INEXORÁVEL realidade de em breve estar morto.
Acalme-se, excelso MÉDICO e dileto amigo Marco Paulo Reynol!
Este desafogo NÃO se vê eivado dos maléficos efeitos da desesperança. Do nefando devir dos que entregam os pontos.
Sou, sim, um DOENTE.
Conquanto - como ME UFANO disso -, RESILIENTE.
Aceito as Minhas limitações.
E as provações.
Seguirei firme nesta RENHIDA batalha em contra do DIABETES MELITO.
Fazendo tudo que estiver ao Meu alcance.
Tenho DITO!
E, como PALAVRA DE DELEGADO é coisa MUITO séria, tenho ESCREVINHADO.
Uns bem alegres. Outros, plangentes.
Assim sou EU.
Assim são os MEUS CONTOS!