domingo, 21 de julho de 2013

FALE, POETA!

CARINHOS deste HOMEM IMPROVÁVEL!

"NÃO PREVENIR. TAMPOUCO REMEDIAR!

Vista cansada.
Imagens em movimento.
Luzes.
Em díspares ângulos.
Em retintos policromos.
Abaixo, o plúmbeo pano.
Às quatro da manhã pulsando.
Um colar de pérolas.
Incontáveis lanternas que vêm.
Ou estariam regressando?
Vermelho.
Aos pares. Unos.
Tênues. Fortes. Vibrantes.
Vão. Vans. Voltam?
Contrariado, percorre-ME o brônzeo peito nu uma onda de calor.
A contrariar todas as previsões.
O breu ao fundo.
Cortado pelo monte que se diz ilha.
Um chá? Quem dera!
Haverá frio?
Por ora, coca-cola. Congelada!
À direita, soberana, a antena.
A reproduzir sinais.
EU aqui, na varanda, só e satisfeito.
A narrar cenas.
O céu.
Sem estrelas.
Estranhamente manchado.
Reflexos da claridade.
Ecos da convulsão.
Reverberações da rolagem.
Erupções do cordial.
Das quatro horas da manhã de um domingo.
O mar.
De Vicente de Carvalho.
São Vicente!
De sete ondas que beijam a areia.
Em hipnótico compasso.
Traços de uma mansidão incoerente.
Previsões.
Fundamentais. Essenciais. Viscerais.
Imprescindíveis.
Aos que têm toda a existência pela frente.
Quando se está na posse e sob o jugo da pouca idade.
Previsões.
Provisões.
Quem umas bem fez, em paz das outras goza.
Ser improvável.
HOMEM IMPROVÁVEL.
Desdouro do destino.
Das previsões, motejo.
De pródigas provisões, inconsequentemente consciente, levianamente hedonista e intrepidamente feliz, manteve-se fiel.
A si.
Perdulário.
Vista cansada.
Alma tranquila.
Cinquenta anos.
Erraram as previsões.
Às quatro da madrugada o ar é tórrido.
A umidade é baixa.
E o vento brando.
Meditabundo, umas linhas traço.
Há certo?
Desacertei EU?
Os Meus sempre todo-poderosos olhos oscilam.
Lambem o papel. Libam a natureza.
Acerto.
Hoje. Lá atrás.
Da vida não se leva nada, musicou alguém.
Sinto-ME dono de tudo.
Tudo o que importa.
Depois da porta, o fim.
Na tela que a Minha frente se descortina, a lição.
De VIDA!
Lamentar o passado e adivinhar o futuro quiçá seja uma opção.
Daqueles que creem ser o centro do universo.
Os humildes, os ungidos, os felizes, desfrutam.
Sem culpa. Sem dores. Em distensão.
Com amores.
As cores do mundo.
Repetitivas.
IMPREVISÍVEIS!"


Aos que sabem dar valor.

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