ENXERGANDO MELHOR!
Sou mesmo um HOMEM IMPROVÁVEL.
Sem FÉ.
Abençoado pela LEI DAS PROBABILIDADES.
Estava EU na fila de espera da OFTALMÓLOGA.
Consulta marcada para as 1Oh.
Minha primeira oportunidade usando das benesses de ser dependente da consorte COM SORTE, Cristiane Andrade, mais uma das valorosas funcionárias públicas da Terra dos Andradas.
Uma das poucas ungidas pela distinção de estarem sob a égide da chefa ideal.
Estonteantes olhos azuis e competência ímpar. Leandra Alves Rosete.
Lá estou EU.
Sala de estar incompatível com o prestígio da médica.
Sala de estar incompatível com o tamanho deste paciente.
Calor.
Dor.
Rubor.
A inflamação das costas e do Meu MAU HUMOR faziam-se visíveis.
Outrossim, o adiantado da hora.
Cerca de 11h.
SACO!
Saco de Meus claudicantes óculos antigos e ME decido entregar ao mais deleitante dos prazeres que se me apresentam quando longe da alcova.
LER.
Um pilha de revistas qualquer.
Não, a PLAYBOY da VERA FISCHER não se encontrava na pálida hemeroteca.
Vou ao fundo da prateleira.
Já ME encontrava no fundo do poço.
Suando e cabalmente arrependido pelo esforço - abaixar-ME fez recrudescer a lancinante dor nas costas -, elejo a revista pela capa.
Afinal, MULHER BONITA é sempre um poderoso antídoto para quaisquer mazelas.
Empalideço.
Um misto de UFANISMO e EMOÇÃO.
Sou percorrido por uma descarga de VAIDADE.
Um nome de FAMÍLIA.
E um olhar vencedor conhecidos.
HOEHNE.
Sou um homem rude.
Limitado intelectualmente.
Conquanto, de uma PASSIONALIDADE a toda prova.
ODILINHA HOEHNE, dizia o lide na capa.
Dona ODILA.
Entretons de açúcar e afeto, discorria a entrevista.
Naturalmente, versando sobre iguarias.
Inimaginável, sob a óptica dos ensinamentos.
A cada passo do colóquio, um novo horizonte se avista.
Força.
Autoconfiança.
Respeito ao próximo.
Intrepidez.
Humildade.
Profissionalismo.
E uma recidiva palavra.
HONESTIDADE.
Sou um CULTUADOR das mulheres.
Sou filho de SICILIANOS.
E isso diz muito em matéria de DIVINIZAR a figura materna.
O mundo FEMÍNEO.
Um arauto da FILOGINIA.
E eis que em pleno consultório oftalmológico, uma MULHER MATERNAL, ESPECIAL, SENSACIONAL, a arrancar as Minha vendas, a operar a Minha miopia social. Profissional. Familiar.
IDIOSSINCRÁTICA.
O que é bom, sempre pode melhorar.
O Meu amigo Beto Clemente, o eterno JOSÉ ALBERTO surge na história.
Em um indelével parágrafo.
Quando a MAMÃE ODILA fala da sua alquímica cria.
Quando a TÉCNICA ODILA fala da sua invencível capitã.
Quando a PROFISSIONAL ODILA fala da PROFISSIONAL CINTIA.
Cintia Hoehne!
A dona do castelo, do coração, da admiração e da felicidade do MEU AMIGO.
A MAMÃE da PRINCESINHA DA VOVÓ.
A mais ELEGANTE, DILIGENTE, AFÁVEL e - ainda trago na memória o paradísico jantar - EXPERTA das MESTRES-CUCAS.
Quiçá o único ser humano sob o sol capaz de ombrear o merecido prestígio gastronômico daquela belíssima senhora na capa da tal revista.
Ainda inebriado, ainda absorto e imerso na LIÇÃO DE VIDA ali apreendida, sou trazido à terra por uma voz.
PAULO.
E um cutucão.
Meu amado sobrinho.
Titio, a moça já lhe chamou CINCO vezes.
Aluno embevecido, retiro os umedecidos olhos do papel.
CRISTIANE, você tem o telefone da SENHORA CLEMENTE, indago.
O que é BOM, há de ser compartilhado.
MUITO OBRIGADO, DONA ODILA.
A CIÊNCIA, hoje, melhorou-ME a visão.
A SENHORA, hoje, FEZ-ME ENXERGAR MAIS.
MAIS LONGE.
MAIS PROFUNDO.
Pousar os olhos do coração em outro mundo.
UM MUNDO MELHOR!
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