Perfaço, neste exato momento, CENTO E SESSENTA E UM DIAS da ciência do mais nefando acontecimento da Minha existência desde a morte do Meu SAUDOSO PAI, o verdadeiro PAULO DELLA ROSA.
Tal desventura deu-se há QUARENTA E UM ANOS e DEZ DIAS.
Sim, já se passaram 161 longos dias desde 16 de agosto de 2013, data do impactante diagnóstico do DIABETES TIPO 2.
Há 41 anos, perdi o chão.
O pão.
O melhor amigo. Meu super-herói. Meu guardião.
E, corolário, o NORTE.
Há 161 dias, desquitei-ME da sofreguidão.
Do pão.
Dos chocolates, das coca-colas e dos quindins.
E, corolário, da ERRÔNEA certeza de que EU era FORTE.
DIABETES MELITO.
PAPAI.
Quanta falta o senhor ME faz.
Sempre fez. E sempre fará.
Como tantas e tantas vezes durante esses plangentes últimos QUARENTA E UM ANOS E DEZ DIAS, queria por demais CHORAR no seu colo.
Um choro interminável. Um pranto restabelecedor.
Como as águas de março.
Águas de dor.
E de AMOR.
Como tantas e tantas vezes durante esses draconianos CENTO E SESSENTA E UM DIAS, queria por demais ME fartar dos seus conselhos.
Sentado sobre os seus joelhos.
Como nas noites de Minha longínqua infância.
Para falar da Minha dor.
E do Meu AMOR.
Travo uma renhida batalha em contra dessa AFECÇÃO PANCREÁTICA. Uma silente e permanente guerra com as Minhas entranhas. Os Meus pendores. As Minhas vontades.
O DIABETES prova-se combativo. Competitivo. Nocivo. E vivo.
E ao pelejar com ele nessa batalha sem trégua, incontinente sou invadido pela RECIDIVA e ACACHAPANTE lembrança de outra - e ainda mais letal - renhida batalha que travo em contra das SAUDADES que tenho de uma FIGURA EMBLEMÁTICA.
Que se prova INVENCÍVEL. TANGÍVEL. INESQUECÍVEL.
E que, não obstante morta, a cada momento parece mais VIVA.
PAULO DELLA ROSA. O pai. MEU PAI.
Sinto-ME fraco. Frente ao repto.
Sinto-ME impotente - aproveitem, BILTRES, e elejam a acepção dos seus sonhos para o vocábulo - frente aos imperiosos reclamos de tão pujantes vicissitudes.
Sinto-ME só.
Os que asseguram que ninguém é insubstituível NÃO houveram ainda que se defrontar com o VAZIO que a ausência da figura PATERNA encerra.
As lágrimas - quem ME conhece o sabe - são-ME frequentes companheiras.
Costumo brincar que choro até em inauguração de posto de gasolina. E nem carro possuo!
Hoje, contudo, absolutamente secos estão os Meus DIABÉTICOS olhos.
A DOR, hoje, é assaz profunda.
Sonhei com chocolate.
Um sonho ARRASADORAMENTE real.
CHOCOLATE BRANCO, PAPAI.
Daquele SUÍÇO.
Que no fim dos anos 1960 e começo dos anos 1970, somente era encontrado naquela padaria CHIQUE na Rua Alfonso Bovero, a uma quadra da Avenida Pompeia - que naquele tempo levava acento -, na Nossa PAULICEIA - que também levava acento - DESVAIRADA.
O chocolate branco que o SENHOR, toda quinta-feira à noite, entregava, com um ritual de afeto e cumplicidade, ao seu "PAULUCHO"
O menino que o SENHOR dizia que seria o PRESIDENTE!
Não, AMADO PAPAI.
Não fui - e JAMAIS o serei - o PRESIDENTE.
Nem o AMOR e muito provavelmente os VOTOS dos Meus filhos tive.
Tenho. Terei. Ou, no caso, teria.
Sou um PAULO DELLA ROSA menor.
Mais FEIO. Mais INSOSSO. Mais FRÁGIL.
Menos CHARMOSO. Menos RELUZENTE. Muito menos COMPETENTE.
Talvez exatamente por isso sigo VIVENDO.
Ate agora, já são SETE ANOS a mais do que o período que a LEI DAS PROBABILIDADES reservou-lhe.
Só encontro uma justificação plausível para essa lancinante peça que a vida Nos pregou.
O DIABETES ensinou-ME algumas lições.
A maior delas, indiscutivelmente, foi a importância da DETERMINAÇÃO.
E, neste LUZIDIO conceito, mora a explicação.
Para que EU chegue aos Seus pés, necessitarei de pelos DUAS VEZES mais TEMPO.
E uma invulgar ajuda do VENTO.
Sou, de fato, um retumbante fracasso.
Em Minha defesa, faço uso de um ensinamento do SENHOR.
Que ME mitiga a imensa dor.
Que ME auxilia com a glicemia.
Que ME aproxima de PAULO DELLA ROSA.
DIABÉTICO ou não, só se chega ao lugar desejado DEPOIS de se ter a CORAGEM de dar o PRIMEIRO PASSO.
NÃO sei quanto tempo mais viverei.
Por todo esse tempo, PAPAI, EU LHE AMAREI!
Nenhum comentário:
Postar um comentário