quarta-feira, 5 de março de 2014

LÍNGUA AFIADA!

Sou um amante da LÍNGUA de MACHADO DE ASSIS. 
De uma forma tão ensandecida quanto a da descabida paixão que nutro pela SACROSSANTA, deleitante e temerária arte do bem comer.
Bem e BASTANTE.
Nesta quarta-feira de CINZAS, vivi a sensação de conhecer o INFERNO.
E, momentos após, o GOZO de visitar o paraíso.
Acompanhado da consorte COM SORTE, Cristiane Andrade, que ainda em ritmo de carnaval trajava uma FITA AMARELA - e uma lindíssima camisa do mesmo matiz - gravada com o nome dela, em atenção à indicação do ARQUITETO mais PANELEIRO do Brasil, o sempre sorridente Alessandro F. Carvalho, dirigi-ME ao elegante bairro do GONZAGA.
Inacreditável!
Para um lugar que traz no cardápio uma SUCULENTA e PLEBEICA LÍNGUA.
Mais precisamente à "VIELA DOS ABASTADOS", meio ABESTADO que sou.
Ali, acrisolado rincão da Nossa tradicional e instigante URBE, onde João Cláudio esculpiu vários corpos que tanto PRAZER ME deram.
Ali, perolífero logradouro dos que, quiçá por sorte, quiçá por sangue, quiçá por luta, pairam sobre os plebeus como EU.
Djalma Dutra!
No afã de ENCHER O CU DE LÍNGUA!
NÃO, estas sempre MUI bem traçadas linhas NÃO têm conotação sexual. Apesar de ser EU um TARADO pelo CUNILINGUIS.
O mais CORRETO e CORRETOR dos arquitetos, tão logo soube da Minha fascinação por LÍNGUAS - de todas as origens, notadamente as FEMÍNEAS -, durante as Nossas matinais LUCUBRAÇÕES praianas, desfiou um rosário de loas a um simpático RESTAURANTE A QUILO - sim, PARVALHÕES, é A QUILO mesmo - homiziado entre os PALACETES que tanto caracterizam a BEVERLY HILLS santista.
Creiam-ME - ação que JAMAIS protagonizo -, assíduos leitores, trás a EXASPERANTE peregrinação do casal, subindo e descendo dos DESAPARECIDOS ônibus do final de feriado e vencendo léguas de caminhada, o estabelecimento estava fechado.
Talvez para reafirmar a máxima de que TODO CASTIGO PRA CORNO É POUCO.
Se o CORNO é POBRE como este MAZELENTO, ANOSO e FALIDO delegado, tanto pior.
Com cara de CACHORRO da MOOCA que caiu da mudança em pleno MORUMBI, por um átimo, chorei.
Até ME lembrar que sou PAULO.
São PAULO!
Incontinente, agarro novamente a UXÓRIA mão macia - a VELUDÍNEA pele e a habilíssima LÍNGUA são tesouros da EX-MISS MIOSÓTIS - e, olvidando-ME completamente da BANCARROTA que permeia Minha NACARADA existência, caminho altivo rumo ao OLIMPO gastronômico dos GENTIS-DONAS e GENTIS-HOMENS.
Restaurante SÃO PAULO.
Passando a LÍNGUA NOS RÓSEOS BEIÇOS, vislumbro um POÉTICO chamamento.
FESTIVAL DO CAMARÃO!
EU, um POBRETÃO, figura carimbada nas MALEDICENTES LÍNGUAS da cidade, senti-ME um ARISTOCRATA POLIGLOTA.
Abandonando quaisquer resquícios de razoabilidade, concentrei-ME na SACIEDADE.
Avesso aos TURPILÓQUIOS e cativo da PROTOLÍNGUA, capitulei.
Mandei TOMAR NO CU a LÍNGUA e, sempre abençoado pela CUMPLICIDADE - na cama, na rua e apesar do contracheque da secretaria da FAZENDA - da SENHORA DELLA ROSA, caí de boca no CAMARÃO.
Os NOVENTA E TRÊS REAIS E QUINZE CENTAVOS - em LÍNGUA alguma compreenderei como eles chegaram aos tais QUINZE CENTAVOS - mais PRAZEROSOS dos últimos DEZ ANOS.
Tão ou mais PRAZEROSOS do que as PRAZENTEIRAS e INCONTÁVEIS LÍNGUAS que ME acariciaram o ÂNUS nesta DÉCADA.
Como sempre digo na sonora LÍNGUA de PESSOA, o Melhor dos Fernandos, EU NASCI COM O CU PRA LUA!
LÍNGUA AFIADA!

Nenhum comentário: