terça-feira, 13 de agosto de 2013

HONRANDO O SANGUE!

BANDAGEM CIRCULAR!
A barba branca, enfim, dando contundentes sinais de sua importância.
Não houve um só mortal que ME haja encontrado sem que a MIM endereçasse um olhar piedoso e carregado de curiosidade.
Confesso que custei a captar o significado desta encantadora generosidade.
Naturalmente, tal ciência desdourou o acrisolado gesto.
Na interface do Meu cotovelo esquerdo, ELE.
Lembrança irrefutável de uma específica e aterrorante ação.
A coleta de sangue.
Redondo. Cor da pele. Fofinho. E grudento.
Ousaria dizer EU primo próximo da cera quente.
O CURATIVO CREMER!
Não satisfeitas com o viés vampiresco de seu mister, as doces e simpáticas hematófagas têm sardônico prazer em aplicar nas vítimas esse odioso timbre.
Concitando-Nos, imediatamente após, com suas vozes inconfundíveis, a NÃO esticarmos o braço por algumas horas.
E o tormento se materializa.
Em especial para um GORDO, APOSENTADO, MAL-AJAMBRADO e pobre como EU.
Pelas ruas esburacadas do José Menino, essa ANTA ROSA que lhes escreve sentiu nas FARTAS carnes o peso moral - ou seria AMORAL? - do band-aid em forma de bola.
Além dos olhares já citados, bastantes conhecidos e parcíssimos amigos - tenho MUITO POUCOS - foram além.
Está doente?
Infartou?
AIDS? Todos sabem que NUNCA usei preservativos. Comigo é no COURO!
Até perquirições sobre ANEMIA recebi!
Interessante.
Senti-ME querido.
Acarinhado.
E algo VIADO.
De bracinho dobrado, um curativo afrescalhado e todo mundo a sorrir para MIM.
Durou pouco.
Sou MACHO.
E algo louco.
Buscando uma coragem que efetivamente NÃO tenho, respirei fundo e, de supetão, arranquei a BANDAGEM com ares de BOIOLAGEM.
URRO.
Centenas de pelos decapitados.
E fim.
Revoltado, dou-ME conta de que NÃO havia nem uma marca sequer. Nem o tal furinho.
Em contrapartida, como caminhei sob o saárico sol deste invernal dia na Costa da Mata Atlântica, e como sou filho de SICILIANOS e tenho uma pelugem digna de dublê de TONI RAMOS, um OÁSIS ali se desenhou.
Branco e pelado.
Incontinente, lembrei-ME dos olhares piedosos.
Sim, em concomitância com a BARBA BRANCA, o tal curativo inspira nobres sentimentos.
Cada um e todos os que cruzei devem ter feito o sinal da cruz ao fugirem do Meu campo de visão.
Para eles, sou um velho.
MORIBUNDO.
Às favas, homens e mulheres de boa vontade. E de pouca idade.
Sou VELHO SIM.
ATEU.
E cafajeste por cada pelo da Minha rotunda silhueta.
Com sangue nas ventas. E nos olhos.
Sangue COR-DE-ROSA.
Imbele. Hedonista. Romântico. E bem-humorado.
O telefone da moçoila do laboratório está na carteira. Não resistiu ao Meu PRANTO.
E o da dona do LABRADOR algumas décadas mais nova do que EU também. Cedeu ao Meu dolorido ENCANTO.
Afinal, NADA melhor do que ÉGUAS NOVAS para fazer o SANGUE desse VELHO POLICIAL ferver!
Pele de MULHER.
Santo CURATIVO!

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