quarta-feira, 21 de agosto de 2013

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DO DELLA ROSA!

TRANSFORMADORA DOÇURA!
Foram mais de CINQUENTA ANOS.
De uma fidelidade canina. De forma ubíqua. Surreal.
Familiares, amigos queridos e até os da onça espantavam-se.
Famoso pelo absoluto desdouro ao senso comum, neste particular, dava EU brutais mostras do Meu intrépido – e inconsequente – anarquismo.
DOCES.
Na sua visão mais lata.
Na lata ou em quaisquer outros invólucros, contêineres, potes, sacos, garrafas e afins.
Com destaque olímpico para a COCA-COLA.
E o QUINDIM.
Sem motejar jamais dos SORVETES, doses NÍMIAS de açúcar, PUDIM DE LEITE CONDENSADO e o próprio LEITE CONDENSADO MOÇA mamado na instigante latinha. E os BRIGADEIROS. A GROSELHA PRIMAVERA. E tantas outras delícias. 
Maravilhosamente DOCES.
Era EU a materialização da etérea concepção do GORDINHO FELIZ.
Um SHREK tomado por e tomando sempre injeções da mais fantástica e prazenteira estruturação química.
A GLICOSE!
A rotunda cintura, no auge da opulência, roçou a HONROSA marca de 1,42 m.
A balança – inimiga maior – decretava insensível. 139 quilos. E 600 gramas.
Como dizem os mais jovens, em seu adorável e para MIM algo ininteligível linguajar alternativo, NÃO DEU OUTRA!
DIABETES.
Do tipo DOIS.
DIABETES MELITO.
Do tipo que APAVORA. 
Como se fora uma ESPADA DE DÂMOCLES sobre a Minha pouco luminosa cabeça. Sobre a Minha mitigada inteligência. Sobre o Meu míope intelecto.
GLICEMIA 363 mg/dL.
GLICOSE na urina. 500 mg/dL.
Eis que uma espartana rotina fez-se imperiosa.
Travo uma célere luta interior e eis que lanço o PÉTREO vaticínio.
Morrerei COM ELA.
NÃO dela.
Lá se vão CINCO DIAS.
De uma transformação de CRISÁLIDA para IMAGO.
De supetão, sem maiores ou menores lucubrações, um INIMAGINÁVEL adeus.
A TODO e QUALQUER agente dulcífero.
Arroz, massas e pães, poucos, e tão somente INTEGRAIS.
Caminhadas.
Ainda mais longas. E velozes.
COCA-COLA! 
As saudades são tamanhas, que NÃO ME permito nem sequer assistir aos comerciais. E se desafortunadamente vejo alguma em mãos dos mais felizardos, incontinente viro a cara. 
E faço BICO.
Medicação.
Ainda NÃO!
O ENDOCRINOLOGISTA – morro de medo só de escrever, pronunciar ou pensar na palavra – agendado para segunda-feira próxima vindoura.
Novos tempos.
Novas MEDIDAS.
O CÓS!
CENTO E DOZE centímetros!
O PESO.
Oscilando entre 99,9 – sim, abaixo dos CEM depois de tantas décadas – e 101,3. Sinto-ME um DIAL de rádio FM.
O BOM HUMOR, quiçá a Minha MELHOR DOÇURA, em que pese a traiçoeira assacadilha da genética, sobreviveu.
Provando que ADIPOSIDADE e ALEGRIA são grandezas autônomas. URSOS PARDOS não são lá tão histriônicos.
ANTA ROSA DIABÉTICA.
Assim estou. Assim sou.
E, a julgar pelo monumental conjunto de informações que a frenética leitura sobre o tema MO – PESSOA, EU adoro Pessoa, o melhor dos Fernandos – permitiu, assim MORREREI.
Não sei quando. 
Que NÃO seja logo.
Algo, contudo, sei. E CELEBRO.
Morrerei ESBELTO.
Com a silhueta que ostentava ANTES do Meu DISTINTIVO e ENVAIDECEDOR ingresso na CASA AMARELA. 
E as consequentes e engordativas noites no saudoso LOBBY.
O que, de forma inarredável, levará coevos e historiadores a cantar em verso e prosa a força de vontade de PAULO DELLA ROSA!
Repetindo, em uníssono, a acrisolada interjeição.
QUE HOMEM!

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