A manhã NÃO se iniciou auspiciosa.
Como faço todos os dias, submeti-ME à matinal picada.
No diuturno e aterrorante e desgastante diagnóstico da TAXA DE AÇÚCAR do Meu NACARADO sangue.
Com o número 134 estampado no visor da tal demoníaca máquina, decidi por uma CAMINHADA.
CÃOMINHADA, tendo em vista a parceria do Meu fiel escudeiro e DONO PRIMEIRO do Meu ANOSO coração.
Naturalmente, as fatias do PÃO INTEGRAL da tão celebrada DEJEJUA foram suprimidas.
Ó dor! Ó vida!
Partimos, FILHO-CÃO e PAI ANTA ROSA, desde a divisa entre a Terra dos Andradas e o reino dos CALUNGAS em direção à Ilha Porchat, sempre margeando as cada vez MENOS álgidas - até que enfim! - águas do Atlântico Sul.
Fomos e voltamos, desta feita seguindo até o CANAL DOIS, em ritmo bastante acelerado, mormente para as QUATRO PEQUENAS patas do Meu ADÔNIS CANÍDEO e para as CINQUENTA primaveras que carrego sobre a envelhecida carcaça.
Não contente com a faina e CAGANDO de medo dos NEFANDOS efeitos da GLICEMIA, desde o CANAL DOIS até o EMISSÁRIO SUBMARINO, como se fora EU um clone AFEADO do atlético e dionísico Bruno Monreal, venci o percurso CORRENDO.
Sim, CORRENDO!
E MORRENDO, também.
YGHOR BHORIS DELLA ROSA, quiçá no afã de comprovar o quão melhor é a sua condição física - e creio que se dá o mesmo com a intelectual - em relação à de seu VELHO PAI, não bastasse CORRER de forma mais célere, humilhava-ME a cada três ou quatro passos, SALTANDO como se estivéramos, ele e EU, sobre uma cama elástica.
Que LÁSTIMA!
Tudo dói.
As pernas. A bunda. E o coração.
Sou MESMO um ancião.
MAZELENTO. Diabético. E, por quê, Pato?, CORINTIANO.
Caem os panos.
Os que se encontram na Minha cintura de circunferência cada vez mais reduzida. E os da SANIDADE.
Maldita idade.
Maldita GENÉTICA.
Quindim. Coca-cola. CHOCOLATES. Quantas SAUDADES.
São SETENTA E OITO DIAS de espartana dieta.
De draconiana rotina.
Nem mesmo a LASANHA DA TIA PINA!
Ou o sanduíche de MORTADELA CERATTI com MUÇARELA.
A vida é bela, EU sempre digo.
No momento, olho para o próprio UMBIGO e agradeço.
Estou pagando pelos Meus erros. Pela GLUTONARIA. Pelos excessos.
Um castigo que mereci. Um ESCARMENTO que mereço.
Socorro-ME, uma vez mais, do Meu invulgar BOM HUMOR.
Com ou sem dor.
Andando. Correndo. Vivendo.
Um dia por vez.
Com a revigoradora certeza de que TUDO VALE A PENA.
Quando se é gente BOA.
Enquanto pudermos Nos entregar ao prazer de ler FERNANDO PESSOA.
Pois a ALMA e a PISTOLA DO DELEGADO NÃO são pequenas!
Nenhum comentário:
Postar um comentário