sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

TOSTANDO AO SOL!

Não há mais como negar.
Trás quase CINQUENTA E UM ANOS de existência - perfaço daqui a CINQUENTA E UM dias -, a glória maior.
ESTOU NEGRO!
Sim, ainda há partes em Minha cada vez mais enxuta carcaça que insistem em permanecer brancas.
NADA é perfeito.
O DIABETES MELITO trouxe-ME um sem-número de ensinamentos, tormentos e transformações.
Tons e sobretons de um inesperado, temido e gigantesco desafio.
No dia em que alcanço, durante a digital medição matinal - CENTO E UM -, o mais baixo índice glicêmico desde que a guerra começou, já no longínquo e NEFANDO 16 DE AGOSTO DE 2013, há mesmo MUITO a celebrar.
Emagreci.
Diria mais. Fiz um PARTO de MIM mesmo.
Alguns e, com riqueza de detalhes, ALGUMAS, viram. Estas sentiram o peso, também. 
Cheguei a vexatórios CENTO E VINTE E NOVE quilos no pico da imbecilidade.
Bastantes ARROBAS!
Na balança, ainda há pouco, OITENTA E SETE. Cravados. 
GRAVADOS!
Além do ADELGAÇAMENTO, após o DIABETES TIPO 2, EU como melhor.
CONSIDERAVELMENTE melhor.
E, para absoluto rejúbilo deste ANOSO e MAZELENTO delegado, EU estou ASSAZ bronzeado.
NEGRO!
Caminhando pelas praias do ITARARÉ e do JOSÉ MENINO, neste tarde ESTIVAL, sob um calor digno do SENEGAL, em ritmo de CAMPEONATO MUNDIAL, senti-ME bem.
MUITO BEM!
Tão bem que julgo haver influenciado a simpática gari vicentina, DOCE senhora que, a despeito do tórrido clima, executava com louvável denodo o seu nobre mister de recolher, como se SÍSIFO fora, as algas que se amontoavam pelas areias.
Ela, que diariamente responde calorosamente - com o perdão da cacofonia e do trocadilho - aos Meus cumprimentos com um agradabilíssimo, porém contido, boa-tarde, nesta tarde - adoro ANÁFORAS! - superou-se.
Tão logo pousou seu maduro e acolhedor olhar sobre MIM, lançou-ME uma generosa e inolvidável pérola.
"Tu tá preto, minínu!"
Os Meus olhos, incontinente, umedeceram.
E Meus ouvidos, ato seguinte, festejaram.
"I magrínhu!"
Quão POÉTICAS palavras.
Quão DULCÍFEROS carinhos.
Quão TOCANTE manifestação.
Agradeci-lhe a NÍMIA gentileza e, quiçá no afã de esconder as lágrimas, acelerei ainda mais o passo.
Naturalmente, com o PEITO inflado.
E o queixo bem mais ERGUIDO.
Afinal, mesmo que DIABÉTICO, velho, pobre e no OSTRACISMO, logrei EU, já no OCASO da vida, esse DISTINTIVO privilégio.
A ANTA ROSA agora é PRETA.
PAULO DELLA ROSA.
Hoje um nome, amanhã uma LENDA!
Que Minha história seja contada e cantada em VERSO E PROSA.
Que TODOS falem do menino branquelo de ALMA NEGRA que cresceu.
E se tornou, mercê da pujança do ASTRO REI, um NEGRO.
NEGRO DE ALMA NEGRA!
Para ORGULHO Meu.

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