Sempre é tempo para se economizar.
Desde que NÃO seja no AMOR!
Quem viveu como EU, viu.
Se bem que a Minha conta da eletricidade subiu.
Num irritante e recidivo viés contrário ao do Meu salário.
O que importa, agora, é os relógios ajustar.
E são BASTANTES, garanto a vocês.
Uma inarredável e cordial relação entre MIM e os marcadores de horário desde a puerícia se fez.
Cordial, sim, e sou do tempo dos tais BOBOS DE CORDA!
Dedicando-ME a este genuíno mister de SÍSIFO nos derradeiros momentos do praticamente finado horário de verão desta SENEGALESCA sazão, vi-ME levado pelas doces mãos da lembrança até um específico final de verão do longínquo ano de 1976.
Exatamente numa sexta-feira, se não ME trai a DECADENTE memória.
Chegando de São Paulo como fazia religiosamente todo fim de semana à época, Meu avô paterno, o VÔ DOMINGOS, daquela feita estava acompanhado de um CELEBÉRRIMO e INOLVIDÁVEL pacote.
O papel que o envolvia era PRATEADO!
E o seu conteúdo, DOURADO!
Um presente.
Para o PAULINHO!
Que, como era de conhecimento geral, JAMAIS fora ou viria a ser um ocupante das primeiras filas do AVOENGO coração. Exatamente o oposto do que SEMPRE se deu com a cônjuge do SENHOR REGARMUTO, a mais bela e maravilhosa das mulheres, a Minha AMADA VÓ CIDA!
Um presente.
Para o PAULINHO!
Ávido por carinho - carência que se prende ao Meu NACARADO peito como uma rêmora até os dias atuais -, avanço sobre o ARGÊNTEO embrulho com a mesma sede com que, ao longo da longeva existência, arrojei-ME em direção aos incontáveis - na dupla acepção do vocábulo - CUS que comi.
A inesquecível caixa guardava um IMORREDOIRO fascínio.
Um RELÓGIO!
O Meu PRIMEIRO relógio.
SEIKO!
De mostrador com fundo branco e - sonho para um fedelho pobre e inculto - com espaço reservado para o dia do mês.
O SOL naquele sublime momento se fez.
Os olhos marejam-ME agora, exatamente como há tantos verões.
O PRIMEIRO sutiã, as mulheres, e a PRIMEIRA BROCHADA, Nós, homens, nunca esquecemos.
APAIXONADO por relógios, deu-se assim com o tal SEIKO que alcunhei de MOEDINHA NÚMERO UM, em tempo algum EU o esqueci.
E esta IMANE alegria hoje revivi.
Desde então, foram TANTOS E TANTOS relógios e alegrias, que NÃO seria EU capaz de nominá-los.
ANOSO e MAZELENTO e ATEU, resta-ME tão somente dar graças.
À maturidade.
Mestra maior, que Nos faz saborear na plenitude as bençãos da felicidade.
A DOMINGOS JOSÉ REGARMUTO, pai da MAMÃE, Maria De Lourdes Dos Santos, que ME ensinou, por vias outras, a AMAR TODAS AS HORAS.
E a comer AGRIÃO!
À LEI DAS PROBABILIDADES, bíblia dos ÍMPIOS como EU.
Ela, mercê de indecifráveis fatores, permitiu-ME tudo isso vivenciar.
Ao DIABETES MELITO e à SÍNDROME DO PÂNICO, por ME obrigarem a aceitar a Minha PEQUENEZ. Dando-ME condições de enxergar com maior clareza a GRANDEZA dos gigantes e diminutos gestos de OUTREM.
Da mesma forma que ONTEM - entenda-se por ontem os quase CINQUENTA E UM ANOS que perfarei no dia 23 de março de 2014 - ao ajustar cada um dos Meus RELÓGIOS, aproveito para reafirmar a Minha mais visceral CERTEZA.
Raiz da decantada IDIOSSINCRASIA DELLAROSIANA.
O que vale, na verdade, é o PRESENTE.
PRESENTE!
Um VALIOSO e INALIENÁVEL presente.
Quem viver, verá.
Como espero viver para ajustar relógios por mais uns CINQUENTA ANOS, assim como EU, outros certamente VERÃO!
HORÁRIO DE VERÃO!
Nenhum comentário:
Postar um comentário