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terça-feira, 22 de julho de 2014

FALE, POETA!

Carinhos deste HOMEM IMPROVÁVEL!
Publicado na página DELEGADO POETA.
FENDAS DA ANGÚSTIA!

São espaços vazios.
Uma tendência à inclinação.
Cenas que se repetem.
Sons abafados.
O tempo perdendo o compasso.
Embate de ideias e ideais.

Vísceras em desalinho.
Poros vertendo água em profusão.
Uma intrigante palidez.
Seguida de ranger de dentes.
O coração a fustigar o peito.
Vívida sensação do fim.

Imagens desfocadas.
Tensão e dor a oprimir as juntas.
Ausência de mim mesmo.
Os pés arrastam o mundo.
E a cama convida à prostração.
Lancinante neurose!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

FALE, POETA!

Carinhos deste HOMEM IMPROVÁVEL!
Publicado na página DELEGADO POETA.
CRUENTA DEPRESSÃO!

Carregando o peso do mundo nas costas.
Brasas ardentes sob os pés.
Ventos uivantes pelas frestas.
Emoções completa e nocivamente expostas.

Os sonhos transmutam-se em alucinações.
Os pesadelos são duras sentenças.
Certezas dissipam-se no soturno ar.
Gemidos a abafar os acordes das canções.

O sol a nascer cada vez mais tarde e fraco.
Cores são subjugadas por tons de cinza.
As dores permeiam os olhos e os ossos.
De noite sou tragado por um imenso buraco.

Sentidos e sensações em invencível confronto.
Movidos, cada qual, por seu bel-prazer.
O prazer torna-se fluido, baço, errático.
Às vezes estou inerte. Em outras tantas, tonto.

Para onde avoaram as minhas vãs referências?
Resistirei aos caprichos do meu eu?
Em frangalhos, raciocínio e esperança.
Vísceras e reflexões a entabular tosca conferência.

Eis-me aqui, uma vez mais, a dividir este lamento.
Com alguém que há muito exerce tal papel.
Papel que com úmidas palavras preencho.
Tábua de salvação neste tão assolador momento.

terça-feira, 17 de junho de 2014

FALE, POETA!

Carinhos deste HOMEM IMPROVÁVEL!
Publicado na página DELEGADO POETA.
Escuro.
Areia.
Maduro.
Poeira.

Puro. 
Esteira.
Duro.
Besteira.

Muro.
Rasteira.
Juro.
Sereia.

Furo.
Eira.
Impuro.
Beira.

Sensação. Pulsação. Prostração.
NÃO!
DÓ DE PEITO. DODÓ. DÓ. DÓI.
Coração!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

FALE, POETA!

Carinhos deste HOMEM IMPROVÁVEL!
Publicado na página DELEGADO POETA.
SALVADORA DEMÊNCIA!

Arde o peito.
Encolhe-se o leito.
E se agiganta o relógio.

Passam-se horas.
O sono, sem aceno, foi embora.
Levando consigo cada uma e todas as certezas.

As mãos inquietas.
Pensamentos em desalinho.
Sensação de que não há mais caminho.

Cerram-se as pálpebras.
Fazem-se fluidas as belezas.
Mente e corpo unidos pela fraqueza.

Um porquê.
Você. Eu. O mundo.
Todos os espaços. Tão somente um segundo.

Muito medo.
E ainda é cedo.
Ninguém aceita que haja um tempo para o fim.

Nem uma lágrima.
Há de se ter coragem para chorar.
É preciso certa loucura para tamanha dor suportar.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

HORÁRIO DE VERÃO!

Sempre é tempo para se economizar.
Desde que NÃO seja no AMOR!
Quem viveu como EU, viu.
Se bem que a Minha conta da eletricidade subiu.
Num irritante e recidivo viés contrário ao do Meu salário.
O que importa, agora, é os relógios ajustar.
E são BASTANTES, garanto a vocês.
Uma inarredável e cordial relação entre MIM e os marcadores de horário desde a puerícia se fez.
Cordial, sim, e sou do tempo dos tais BOBOS DE CORDA!
Dedicando-ME a este genuíno mister de SÍSIFO nos derradeiros momentos do praticamente finado horário de verão desta SENEGALESCA sazão, vi-ME levado pelas doces mãos da lembrança até um específico final de verão do longínquo ano de 1976.
Exatamente numa sexta-feira, se não ME trai a DECADENTE memória.
Chegando de São Paulo como fazia religiosamente todo fim de semana à época, Meu avô paterno, o VÔ DOMINGOS, daquela feita estava acompanhado de um CELEBÉRRIMO e INOLVIDÁVEL pacote.
O papel que o envolvia era PRATEADO!
E o seu conteúdo, DOURADO!
Um presente.
Para o PAULINHO!
Que, como era de conhecimento geral, JAMAIS fora ou viria a ser um ocupante das primeiras filas do AVOENGO coração. Exatamente o oposto do que SEMPRE se deu com a cônjuge do SENHOR REGARMUTO, a mais bela e maravilhosa das mulheres, a Minha AMADA VÓ CIDA!
Um presente.
Para o PAULINHO!
Ávido por carinho - carência que se prende ao Meu NACARADO peito como uma rêmora até os dias atuais -, avanço sobre o ARGÊNTEO embrulho com a mesma sede com que, ao longo da longeva existência, arrojei-ME em direção aos incontáveis - na dupla acepção do vocábulo - CUS que comi.
A inesquecível caixa guardava um IMORREDOIRO fascínio.
Um RELÓGIO!
O Meu PRIMEIRO relógio.
SEIKO!
De mostrador com fundo branco e - sonho para um fedelho pobre e inculto - com espaço reservado para o dia do mês.
O SOL naquele sublime momento se fez.
Os olhos marejam-ME agora, exatamente como há tantos verões.
O PRIMEIRO sutiã, as mulheres, e a PRIMEIRA BROCHADA, Nós, homens, nunca esquecemos.
APAIXONADO por relógios, deu-se assim com o tal SEIKO que alcunhei de MOEDINHA NÚMERO UM, em tempo algum EU o esqueci.
E esta IMANE alegria hoje revivi.
Desde então, foram TANTOS E TANTOS relógios e alegrias, que NÃO seria EU capaz de nominá-los.
ANOSO e MAZELENTO e ATEU, resta-ME tão somente dar graças.
À maturidade.
Mestra maior, que Nos faz saborear na plenitude as bençãos da felicidade.
A DOMINGOS JOSÉ REGARMUTO, pai da MAMÃE, Maria De Lourdes Dos Santos, que ME ensinou, por vias outras, a AMAR TODAS AS HORAS.
E a comer AGRIÃO!
À LEI DAS PROBABILIDADES, bíblia dos ÍMPIOS como EU.
Ela, mercê de indecifráveis fatores, permitiu-ME tudo isso vivenciar.
Ao DIABETES MELITO e à SÍNDROME DO PÂNICO, por ME obrigarem a aceitar a Minha PEQUENEZ. Dando-ME condições de enxergar com maior clareza a GRANDEZA dos gigantes e diminutos gestos de OUTREM.
Da mesma forma que ONTEM - entenda-se por ontem os quase CINQUENTA E UM ANOS que perfarei no dia 23 de março de 2014 - ao ajustar cada um dos Meus RELÓGIOS, aproveito para reafirmar a Minha mais visceral CERTEZA.
Raiz da decantada IDIOSSINCRASIA DELLAROSIANA.
O que vale, na verdade, é o PRESENTE.
PRESENTE!
Um VALIOSO e INALIENÁVEL presente.
Quem viver, verá.
Como espero viver para ajustar relógios por mais uns CINQUENTA ANOS, assim como EU, outros certamente VERÃO!
HORÁRIO DE VERÃO!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

FALE, POETA!

CARINHOS deste HOMEM IMPROVÁVEL!
“TORMENTOSA SINA!
Visão desfocada.
Sensação de morte iminente.
Tropel cardíaco.
O ar rarefeito de repente.
Desordem cerebral.
O lábio inferior esmagado pelo dente.
Poros em bicas.
Paúra daquilo que vem pela frente.
Diafragma retesado.
Faz-se na garganta um nó latente.
Barafunda anímica.
Somente lhe dá crédito quem a sente.
Invencível letargia.
No espelho, o reflexo de um dissidente.
Paralisante angústia.
Fúnebre valhacouto do espírito doente.
Neurose de ansiedade.
Mal intangível com rescaldo evidente.
Síndrome do pânico.
Êmulo cruento a ceifar a VIDA DA GENTE.”
Aos que sabem dar valor.