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terça-feira, 22 de julho de 2014

FALE, POETA!

Carinhos deste HOMEM IMPROVÁVEL!
Publicado na página DELEGADO POETA.
FENDAS DA ANGÚSTIA!

São espaços vazios.
Uma tendência à inclinação.
Cenas que se repetem.
Sons abafados.
O tempo perdendo o compasso.
Embate de ideias e ideais.

Vísceras em desalinho.
Poros vertendo água em profusão.
Uma intrigante palidez.
Seguida de ranger de dentes.
O coração a fustigar o peito.
Vívida sensação do fim.

Imagens desfocadas.
Tensão e dor a oprimir as juntas.
Ausência de mim mesmo.
Os pés arrastam o mundo.
E a cama convida à prostração.
Lancinante neurose!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

FALE, POETA!

Carinhos deste HOMEM IMPROVÁVEL!
Publicado na página DELEGADO POETA.
SALVADORA DEMÊNCIA!

Arde o peito.
Encolhe-se o leito.
E se agiganta o relógio.

Passam-se horas.
O sono, sem aceno, foi embora.
Levando consigo cada uma e todas as certezas.

As mãos inquietas.
Pensamentos em desalinho.
Sensação de que não há mais caminho.

Cerram-se as pálpebras.
Fazem-se fluidas as belezas.
Mente e corpo unidos pela fraqueza.

Um porquê.
Você. Eu. O mundo.
Todos os espaços. Tão somente um segundo.

Muito medo.
E ainda é cedo.
Ninguém aceita que haja um tempo para o fim.

Nem uma lágrima.
Há de se ter coragem para chorar.
É preciso certa loucura para tamanha dor suportar.

sábado, 7 de junho de 2014

FALE, POETA!

Carinhos deste HOMEM IMPROVÁVEL!
Publicado na página DELEGADO POETA.
BOM DIA, TRISTEZA!

Meio cheio.
Meio vazio.
O copo.
O saco.
Faz frio.
No topo.
Estou um caco.
Estou por um fio.

Concentro-me na conduta.
Na labuta.
De um dia de feira.
Barraca de frutas.
Sons da luta.
Tons de cinza.
No céu. E no ânimo.
Um véu.

Caminham tantos.
Caminhos tantos.
Desencantos.
Nasce a manhã.
Morrem os sonhos.
Café em pé na padaria.
Rotina que se inicia.
De novo, vazia.

Transforma-se a rua.
Lotam-se as vãs.
Percebo mais cãs.
Desperta-se o Meu cão.
Correm os irmãos.
E as irmãs.
No seu dia a dia.
Que a alma esvazia.

Incrível tela.
Sigo na minha janela.
Aumentam os sons e as cores.
Ondas rebentam na areia.
Dúvidas e dores como companheiras.
Do povo chegando pra feira.
Sacolas de esperança e de amores.
Cheias.

De vida.
De dívidas.
De medo, lívidos.
Os que foram pra luta.
Os que compram frutas.
Estranho vaivém.
Ônibus cheio.
Bolso vazio.

Ainda faz frio.
Meu cão está no cio.
E eu fora de mim.
Cheio de tudo.
Vazio de crenças.
Enfrentando doenças.
Olhando pro céu.
Pensamentos ao léu.

Entregue às divagações.
Perdido nas emoções.
Ao som da canção.
Do grito da feira.
Sinto cheiros.
O cheiro das frutas.
O cheiro das lutas.
E da força bruta.

Que move a minha gente.
Que nos leva pra frente.
Com ou sem feira.
Com ou sem frutas.
Todo santo dia.
Como o mar quebra na areia.
Vida cheia...
Vida vazia...